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EU FUI! Vítima de pólio com um ano, Jaciel é o primeiro na Maratona de SP

O atleta de 40 anos explica a diferença entre a handcycling e a cadeira de corrida, suas "pernas" no tetracampeonato da Maratona de São Paulo.

A cadeira de atletismo é a “perna” que o Jaciel Paulino conhece. E conhece bem –há mais de uma década usando o equipamento, explica rapidamente as diferenças de seu esporte para a handcycling, que se popularizou entre deficientes físicos.

A cadeira de atletismo não tem marchas, catraca ou qualquer mecanismo que facilite a vida de quem pilota.  Para empurrá-la, o atleta usa uma luva de borracha diretamente na roda.

- É a diferença entre correr a pé ou de bicicleta. A handcycling tem 27 marchas, essa não tem nenhuma, toda a força é feita no braço. A gente dá impulso na “pancada” - contou o cadeirante, que completou a 19ª Maratona de São Paulo em 2h04m.

Tetracampeão na categoria para atletas com mobilidade reduzida, Jaciel conta que teve poliomielite com um ano e dois meses de idade, quando vivia na cidade de Santa Maria do Camucá, interior de Pernambuco. Ele e os 13 irmãos nunca foram vacinados, quando a mãe procurou um posto médico já era tarde.

- Estava aprendendo a andar quando fui pego pela doença. Minha mãe me levou ao médico para tomar vacina, mas ele disse que já não adiantaria mais - contou.

Os pais se mudaram para Santos, no litoral paulista em busca de melhor tratamento na “Casa da Esperança”, uma referência em poliomielite na época. O pai, pedreiro e a mãe, funcionária pública ficaram no estado de São Paulo. Já o Jaciel foi rodar por aí.

- Casei duas vezes, tenho três filhos e tenho uma vida muito boa apesar da pólio – disse.

Atleta profissional, Jaciel entrou no atletismo pelas provas rápidas, mas, em 2009 descobriu a habilidade para longas distâncias. Venceu todas as principais corridas de rua do país – São Silvestre, Volta da Pampulha, 10 km A Tribuna, Maratonas de Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Curitiba.

- Como não me lembro o que é ficar de pé, as rodas são as únicas “pernas” que funcionam. E vivo muito feliz com elas – finalizou.

Fonte: Globo Esporte, por Carla Gomes

Enviado por Luiz Carlos em Sáb, 27/09/2014 - 13:34 , em