Rotary RJ Ilha do Governador

O Rotary Faz a Diferença

Mestres do Futuro - Guardiões do Passado

Palestra proferida na reunião do CER - Centro de Es­tudos Rotários -, no Rotary Club do Rio de Janeiro, em homenagem ao ex-presidente do CIEE/Rio, dr. José Moutinho Duarte, no dia 19 de agosto de 2010. O Rotary Club foi a instituição que iniciou o processo de criação do CIEE/Rio, juntamente com a Associa­ção Comercial de São Cristóvão - Assinco.

José MOUTINHO duarte

Presidente do CIEE/Rio - 1991/1993

A nossa instituição, o Rotary, conservadora por na­tureza em seus primeiros 100 anos de existência, está sen­do atropelada, juntamente com outras tantas similares, por destoar em suas estruturas, com as aceleradas mudanças que estão em andamento em todos os setores sociais, ci­entíficos e económicos do mundo. E é evidente que, se não acompanharmos às mudanças, ficaremos isolados, principalmente pela ausência dos jovens nos nossos qua­dros associativos. Os jovens, em razão de sua natural necessidade de ingressarem no mercado de trabalho, têm sido dirigidos em seus estudos nos últimos anos para a nova onda, que os afasta de atividades lúdicas, como companheirismo, solidariedade, servir, porque não há dis­ponibilidade de tempo, totalmente absorvido pelos es­forços de acompanhar a hipervelocidade das mudanças. Não lhes sobra tempo para dedicarem-se ao Rotary Club, instituição ainda vivenciando os tempos do Dar de Si Antes de Pensar em Si e Mais se Beneficia Quem Me­lhor Serve, atitudes tipicamente românticas dos rotarianos como eu, que há 48 anos fui atraído exatamente por esse sentimento.

Quem está certo e quem está errado?

Estamos todos certos e todos errados - nós os ro­mânticos, inebriados pelos sentimentos nobres do companheirismo, da solidariedade, demoramos muito a acordar de nossos devaneios tipicamente humanos, dos humanos antigos, e demoramos muito a despeitar para a realidade que nos envolve. E, quando agimos, nos esque­cemos da massa de veteranos românticos que se constitu­em na realidade de nossos quadros sociais. E também os especialistas, na certa mais jovens do que nós, contrata­dos para encontrar a solução do problema: Mestres do Futuro, se esqueceram, ou simplesmente desconheceram, os Guardiões do Passado.

Volto a afirmar que reconheço totalmente a ab­soluta necessidade de modernizar a nossa estrutura, apesar de não concordar com a absorção total da hipervelocidade dos Mestres do Futuro, porque nós, os Guardiões do Passado, ainda enxergamos e anali­samos tranquilamente que a biovelocidade humana é mais lenta e não se modifica de uma hora para outra. Há que se adotar um meio termo, ou dupla existência de mentalidades convivendo nos clubes, certamente com respeito mútuo, única forma que vejo para essa transformação tão grande. Se não houver jovens atualizados para pegarem a direção de nossos desti­nos e/ou se não continuarmos utilizando e convivendo com a velha-guarda, em poucos anos não teremos mais rotarianos.

E ainda cabe salientar o meu temor, ou descrença, porque essa hipervelocidade é anti-humana e resultará, muito em breve, numa multidão de seres improdutivos, sem trabalho, sem funções, vegetando em campos de espera pela cremação científica.

E como contribuir com um pensamento, uma pro­posta de solução?

Vejo como a clarividência de nosso presidente esco­lhendo o título para a minha singela apresentação - Mes­tres do Futuro, Guardiões do Passado -, títulos com o mesmo peso, e que me assustaram de início, são o cami­nho para a solução de nosso problema no Rotary, como certamente para situações semelhantes que já existem ou que surgirão brevemente em todos os campos de atividade humana - a conciliação das duas visões, respeitando-se mutuamente, adaptando-se com o objetivo de perpetu­ar nossa civilização e de nossas instituições, para o bem da humanidade.

Enviado por Luiz Carlos em Ter, 26/10/2010 - 16:25 , em