Rotary RJ Ilha do Governador

O Rotary Faz a Diferença

Rotary numa encruzilhada

Colaboração do Companheiro Luiz Carlos Dias, do Rotary RJ Ilha do Governador.

 O que está acontecendo ao Clube que uma vez já foi o Cadillac das organizações de serviços? O Rotary segue lutando, mas continua com dificuldades para redefinir-se.

 (Tradução Livre de artigo de Fortune, publicado segunda-feira, 15/10/2001)

 Por Kenneth Klee

 A reunião em almoço a qual fui, aconteceu há poucas terças-feiras atrás, mas ela poderia ter acontecido, muito confortavelmente, nos anos 50 ou 60. Mas eu estava em 2001, em um restaurante tipo churrascaria no subúrbio, chamada Pal's Cabin, onde o Rotary Club Montclair, de New Jersey reúne-se a cada semana. O presidente de um grupo de 30 membros, o corretor de seguros Geff Sanford, bateu o sino para o início da reunião e depois solicitou ao grupo que homenageasse a bandeira americana e cantasse "My country, 'tis of thee". Depois da invocação do Reverendo Beverly Sullivant, foram dadas as boas vindas aos convidados, eu inclusive, com uma outra canção: "Rotarily we say, come back again!" ("Rotariamente nós dizemos, volte outra vez!") que o clube cantarolou. A seguir, os indispensáveis anúncios sobre as realizações nacionais de Rotary e sobre os projetos desenvolvidos junto às comunidades locais, seguido por um ritual chamado Dólares Felizes, no qual os membros doam um dólar americano e dizem o quanto eles estão felizes (por uma formatura na família ou de amigos, por uma vitória americana) ou talvez tristes (por um amigo doente). E o evento principal? Foi um relatório sobre a missão Rotaplast, na qual cirurgiões viajaram para uma província pobre da Argentina para tratar de pessoas com a abertura lábio-liporino. Eu tinha terminado meu café quando Sanford bateu outra vez o sino para encerrar a reunião.

"Definitivamente fora de moda," disse um sorridente Sullivant depois da reunião. É verdade. Mas além disto, estão todos os outros costumes que têm os 1,2 milhões de membros vencedores do Rotary International, incluindo 400.000 aqui nos Estados Unidos. Fundado em Chicago em 1905 como um grupo inicial de uma rede de homens de negócios, o Rotary evoluiu para algo mais: um conjunto mundial de clubes de serviços que podem vangloriar-se de bons trabalhos que vão de atendimentos a escolares e programas para jovens até a disponibilização de US$ 407 milhões para vacinas contra pólio. Se estivéssemos nos anos 50, poderíamos dizer que o Rotary foi o Cadillac dos clubes comunitários, uma lista que inclui outros tais como o Lions e o Kiwanis.

Nada que os rotarianos se vangloriem muito. O estilo neste grupo de membros admitidos por convite tem, por tradição, uma premissa própria estabelecida: convidar, regularmente, líderes de uma comunidade - proprietários de empresas, executivos, educadores, funcionários municipais, médicos, advogados, religiosos - e eles irão construir uma fábrica de serviços, sem precedentes, para a comunidade, desenvolver um grande companheirismo e promover rápidas, mas significativas, conexões de negócios.

Mas o que me levou a Pal's Cabin? Eu fui lá acreditando descobrir como o Rotary, uma vez um poderoso símbolo de assuntos de negócios em cidades por toda a América, estava passando para um mundo mais complicado. Os marcos rotários à beira das estradas, que saúdam as pessoas que passam pelas cidades ainda estão lá, mas a quem pertencem nos dias de hoje? Que objetivos cumprem eles em suas comunidades? Está o Rotary atualizando-se para se adaptar aos tempos atuais?

 Um Lento Declínio

Porquê um grande Clube torna-se menor

Como é possível depreender a partir dos números de companheiros, o Rotary ainda tem alguma influência e força. Esta é uma grande organização, com um orçamento de despesas de US$ 186 milhões, 7.530 clubes somente nos Estados Unidos e um nome que ainda é sólido embora um pouco empoeirado. Porém nem tudo está bem. Ao redor do mundo, o número de membros da organização tem estagnado nos anos recentes; nos Estados Unidos o número de membros decresceu 4% desde seu pico em 1996. Enquanto isso, a idade média dos membros tem aumentado significativamente, as pessoas ambiciosas não estão se juntando ao Rotary como faziam antigamente e as minorias estão ainda sub representadas. As tendências sociais tais como famílias onde predominam duas pessoas trabalhando e longas viagens até o trabalho têm minado todos os clubes de serviços. Mas na forte tradição do Rotary, a tarefa de reinvenção pode ser o mais complicado.

Frank Devlin, que completou seu ano como presidente de Rotary International em julho, vê necessidades de muitas mudanças, incluindo relações públicas em alta escala e experimentos com novos formatos de clubes. O mais significativo é o crescimento da importância da mulher, que tem evoluído rapidamente desde que a Corte Suprema dos Estados Unidos, em 1987, obrigou o Rotary a admiti-las. As mulheres hoje representam cerca de 20% dos rotarianos nos Estados Unidos. O próprio Devlyn faz uma avaliação que se volta para os primeiros dias do Clube. "Empreendedores," diz ele, "devem saber que juntando-se ao Rotary melhorarão seus negócios e lhes darão mais credibilidade”. No entanto, atitudes da época em que foi criado, quando o uso de um emblema de Rotary na lapela era considerado um símbolo de status, estariam sendo combatidas. "A grande maioria de Rotarianos não convida outra pessoa para pertencer ao Rotary," diz Devlyn. "Eles vêm e são motivos de ciúmes”.

Paul Harris não aprovaria. Foi Harris, um jovem advogado, quem fundou o Rotary, em Chicago por volta do início do último século. Solitário na cidade grande, ele tentou recriar a confiança e a amizade que ele conhecia na pequena cidade de Vermont, formando um Clube com três outros amigos. O local das reuniões semanais girava entre os três amigos, o que possibilitou a denominação do Clube. A ênfase de Harris em ética e sua regra profissional - cada Clube deveria ter somente um membro de cada profissão - mostrou-se uma fórmula popular. Durante a seguinte metade do século, o Rotary firmou-se com Clubes por todo o mundo, passou a participar da Organização das Nações Unidas e começou seus inúmeros programas de intercâmbio internacional.

Os anos 50 encontraram o Rotary no núcleo de muitas cidades americanas. Hoje, conversas sérias sobre negócios foram banidas das reuniões semanais. Mas foram as conexões entre os Rotarianos que contaram. Em um Clube típico, em uma cidade de porte médio, você  encontrava o presidente do maior Banco local, o proprietário da loja de departamentos, o gerente da empresa de energia elétrica local e outros mais, todos fumantes de charutos. Hoje os charutos se foram. Mas permanecem o Banco local, a loja de departamentos e a companhia de energia elétrica. Onde estão os que deixaram o Rotary?

 A Reunião Continuará

Existe um mundo de Clubes além do Rotary. Grupos fraternos, como Odd Fellows, contam mais do que um século de existência; clubes de líderes de vendas, como LeTip, são novos no cenário atual. Mas quatro organizações permaneceram de pé. Todas foram formadas no início de 1900, todas combinam serviços às comunidades com socialização e rede de negócios - e todas estão tentando adaptar-se a um mundo em mudança.

Mudando as Caras

Agora, uma espécie diferente de membro

Embora o presidente do Banco não queira voltar atrás, os líderes de Rotary têm algumas idéias sobre como substituí-lo. O Presidente Rick King fala sobre como convidar pessoas tomando como base "a qualidade de coração, não apenas pelo salário ou pela posição social ou profissional."

Este novo protótipo de membro pode ser Janice Newman Teetsell. "Eu gosto das portas abertas”, diz Teetsell, uma advogada afro-americana de 50 anos de idade. Quando ela juntou-se ao Clube South Orange, de New Jersey, seis anos atrás, inicialmente ela pensava desenvolver contatos para fazer valer as práticas dos direitos de família. Teetsell viu mais do que umas poucas portas que se fecharam de pronto para serem abertas depois. Sendo uma mulher negra, em crescimento em uma organização ainda conhecida por ter uma maioria masculina em seus mais altos estratos, realmente parecia excitante. Agora, Teetsell é uma assistente do Governador do Distrito. "Se você me dissesse 20 anos atrás que eu estaria em Rotary, eu nunca acreditaria nisto”, disse.

Isto também evidencia que o serviço ético de Rotary está vivo e bem - a julgar pelas pessoas que encontrei, pelo menos. Meu primeiro personagem é Joe Vallone, que conduz uma grande fábrica de bandeiras para a Annin Co., em Verona, New Jersey, e pertence a Rotary há 23 anos. Durante o período em que está em Rotary ele teve tempo para participar como treinador na Little League, coordenar o corpo local de saúde e servir em sua igreja. Mas o Vallone de 60 anos de idade, é o primeiro a dizer que precisa de reforço. O Clube de Cedar Grove teve 48 membros quando foi criado; agora são 19. "Você precisa ter mais pessoas no Clube para mantê-lo viável e trabalhando”, diz ele. "Por outro lado, nós caminhamos para ser um super Clube".

E alguns daqueles novos membros, pelo menos, devem ser mais jovens. No entanto, eu encontrei alguns jovens Rotarianos e constatei que o grupo precisa de muitos mais. Andrew Keil, 31 anos, trabalha junto com seu pai Stuart, na Fármacia Keil, em Montclair e também no Rotary Montclair. O jovem Keil agradece a chance de servir e também dar duro com outros profissionais locais. Serviço, companheirismo, rede: para ele a fórmula ainda funciona.

Novas Tradições

Rotary tenta mudar seu caminho

Mas através de uma extensa e crescente comunidade diversa de negócios, que inclui todas as despesas em um pacote, a coisa não se apresenta assim tão atrativa. Jo Ann Parkman, um Governador de Distrito no noroeste do Texas, gostaria de ver mais Rotarianos afro-americanos. Mas negros bem sucedidos nem sempre querem juntar-se a clubes que muitas vezes são caracterizados como uma rede de bons moços. A divisão racial mostra outras facetas.  Carol Jenkins Cooper, um membro (e ex-presidente) do Clube East Orange, de New Jersey, que também é negra, lamenta que nenhum dos varejistas asiáticos de sua cidade queiram associar-se ao Rotary.

Como você transforma um Clube sem perder o que o fez funcionar no seu início? Como você contabiliza o desengajamento cívico da geração baby-boom (bem documentado no livro de Robert Putnam, publicado no último ano chamado "Jogando Sozinho")? Os líderes de Rotary estão tentando fazer as duas coisas. Eles autorizaram recentemente 190 Clubes - 24 deles nos Estados Unidos - a experimentar novos formatos, tais como fragmentar a obrigação de reuniões semanais e, além disso, facilitar as regras relativas às profissões. "A idéia é possibilitar às gerações mais jovens participar em seus Clubes da forma como seja mais apropriado a eles”, diz Elliot Lowenstein, Governador de Distrito no sul da Flórida. E a nova propaganda para divulgação do Rotary como serviço de utilidade pública parece pouco inteligente; ela caracteriza jovens voluntários refabricando computadores para os menos afortunados. Existem mais propagandas, parcialmente para convencer uma nova geração de proprietários de negócios que se associar a Rotary, com um objetivo, é valorizar seu tempo.

Enquanto isso, o Rotary vai completar 100 anos em 2005 e os Rotarianos acreditam que irão celebrar anunciando que suas vacinações - que equivalem a meio bilhão de dólares americanos - erradicaram completamente a pólio do globo. Se eles forem capazes de pensar tão grande em seu segundo século de existência provavelmente dependerão das iniciativas que estão agora colocando em marcha.

Eu me descobri ligando-me a eles - mesmo quando o Rotary parece um pouco ridículo. Numa noite quente, em um salão VFW, em Washington, New Jersey, meia dezena de australianos de um programa de intercâmbio profissional estavam prontos para descrever suas tarefas quando da volta ao lar. Os convidados tinham bebido um pouco de cerveja e quando um deles demonstrou um instrumento aborígine chamado didgeridoo, obteve uma bela rodada de aplausos. As coisas ficaram menos ativas, rapidamente, depois que a reunião terminou. Fora dali, no escuro da noite, Jim Hoover contou-me sobre seu trabalho no comitê escolar do Rotary Club de Washington, o qual anualmente arrecada um total de US$ 4,000 através de bazares em garagens e rifas. Um dos recebedores deste ano, explicou-me, é uma jovem mulher que recentemente perdeu um parente. Os Rotarianos não querem que ela perca seu próprio caminho; um prêmio de US$ 1,000 possibilitará a ela freqüentar o colégio júnior local. "Nós gostamos de dar, onde nós sentimos que pode fazer a diferença”, diz Hoover. Algumas coisas - as propagandas ingênuas, a perda das regras profissionais, o afastamento dos mais jovens - ainda não mudaram.

Enviado por Luiz Carlos em Qui, 20/07/2006 - 12:06