Rotary RJ Ilha do Governador

O Rotary Faz a Diferença

Banco de Cadeira de Rodas

Apresentamos a história do Banco de Cadeira de Rodas do Rotary Clube Rio de Janeiro Penha que nos foi gentilmente encaminhada pelo companheiro Antonio Joaquim Cunha, do Rotary duque de Caxias.

HAIA DE LA TORRE E O BANCO DE CADEIRAS DE RODAS

 A idéia de Felipe Tiago Gomes de criar a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, surgiu após a leitura de um livro “ O Drama da América Latina” que relata a experiência do peruano Haya de La Torre, ao criar uma escola de alfabetização para os índios, cujos professores eram estudantes, que lecionavam gratuitamente. Da rede de escolas cenecistas, quero destacar o Colégio França Júnior, criado por um grupo de moradores do IAPI da Penha, liderados por José Maria Cruz, no início da década de 1950. Era um educandário noturno, que funcionava no prédio da Escola Presidente Eurico Dutra, ao lado do GREIP, no Conjunto Residencial do IAPI da Penha.

Foi lá que conheci NEIDE e o ALUISIO MONTTECHIARI. Neide, (normalista que lecionava matemática)  e Aluisio, jovem proprietário de pequena farmácia, era aluno do Curso Científico.

Os dois namoraram e casaram e deste casamento nasceram, Carlos Eduardo, em 1962 (sadio) e em 1967, a menina CARLA ANDRÉIA AMORIM MONTTECHIIARI, (cadeirante, hoje formada em ciências contábeis), uma criança portadora de um mal, diagnosticado como mielo meningocelis, mais conhecido como “espinha bífida”, que assim se descreve:

“Espinha bífida significa espinha cindida ou dividida. Esta divisão se dá nas primeiras semanas de gravidez, quando a medula, então em formação, não se fecha corretamente, o que faz com que os bebes apresentem os nervos expostos e vértebras danificadas. Crianças portadoras de “espinha bífida” poderão apresentar dificuldades de coordenação, aprendizado, controle muscular e mobilidade. A gravidade das seqüelas físicas decorrentes da “espinha bífida” depende da localização da lesão na medula. Quanto mais alta, maior o número de nervos afetados. Também poderá ocorrer perda do controle da bexiga e intestinos. A função intestinal pode ser controlada através de uma dieta alimentar adequada, do uso de medicação específica e de treinamento. Já a incontinência urinária pode ser controlada por meio de auto-cateterização e uso de medicação, sendo necessário realizar exames regulares para evitar o comprometimento renal. Crianças com “espinha bífida” poderão necessitar de tratamentos ortopédicos e fisioterapia por longos períodos para fortalecer os músculos e evitar o surgimento de problemas articulares .....”.

 Passaram-se alguns anos. Aluisio tornou-se rotariano, ingressando no RCRJ Penha. Convivendo com o problema da filha, que crescia e dependia da CADEIRA DE RODAS, descobriu que muitas outras pessoas dependiam do mesmo instrumento e não podiam adquiri-lo por falta de recursos. O problema da filha Carla e a dependência da cadeira de rodas, trouxeram-lhe a inspiração da criação do Banco e já em 1979, Aluisio e Neide começaram a fazer empréstimos para pessoas carentes. O projeto cresceu e foi encampado por rotarianos do RCRJ Penha com o apoio de outros clubes da região. Em 1983 o Distrito 457 (hoje 4570 e 4750) reconheceram a existência e foi oficialmente registrado, com sede na Rua Comandante Vergueiro da Cruz – IAPI da Penha, em instalações cedidas pelo casal Monttechiari, permanecendo por 15 longos anos. O escritório onde eram recebidas as doações e feitos os empréstimos que eram controlados gratuitamente por um outro abnegado morador do IAPI, o Sr. Jose Rodrigues Pinho e D. Neide que  acompanhavam todos os serviços, obrigando os usuários, por convite através de correspondências, ao fiel cumprimento da devolução ou que comparecessem para uma satisfação sobre o real propósito da instituição que era o empréstimo para posterior devolução.

 Em 1979/80, o RCRJ Penha, através da Avenida de Serviços à Comunidade (Joaquim Nunes de Carvalho Edelberto Abdala, Antonio Rodrigues (Tuninho da SUAM)) realizaram uma campanha para aquisição de cadeiras de rodas que seriam doadas a pessoas carentes de suas áreas de atuação. Foram então arrecadados fundos que permitiram adquirir 110 unidades, as quais foram entregues, em ato público, a pessoas previamente selecionadas. Seis meses após o evento, o Rotary fez uma pesquisa junto aos beneficiários para avaliar o uso das mesmas e o resultado surpreendeu. Cerca de 50% dos contemplados não mais dispunham das cadeiras, as quais estavam, algumas inutilizadas, ou, na maioria dos casos, haviam sido vendidas. Surgiu, então, a idéia de fundar uma instituição paralela ao RCRJ Penha, com personalidade jurídica própria, que tivesse por objetivo praticar a filantropia, principalmente com relação às cadeiras de rodas e aparelhos ortopédicos, que seriam cedidos por empréstimo e por tempo determinado, visando sempre o atendimento a pessoas carentes.

         Assim nasceu o Banco de Cadeiras de Rodas dos Associados do Rotary Club RJ Penha. Atualmente o Banco dispõe de aproximadamente 3.000 cadeiras emprestadas, compradas através de recursos obtidos com companheiros rotarianos, doações de clubes co-irmãos e de empresas ligadas aos rotarianos. Através de empréstimos que se renovam, mais de 8.000 atendimentos já foram praticados.

 O EGD Joper do Espírito Santo, em sua visita oficial, em 27 de julho de 2001, assim se pronunciou: .”O rotariano dedica seus esforços à comunidade. Emprega o máximo de sua capacidade intelectual e de sua experiência de vida em favor do próximo. Se compadece, é solidário, compreensivo e generoso. Dá de si, antes de pensar em si. E crê, dedicando-se a cultuar a sua fé, conforme o credo de cada um. A esse respeito, há uma canção popular portuguesa, que retrata claramente o sentimento de fé. Dizem os fadistas S. Manoel e A. Fialho " Foi Deus, que deu luz aos olhos; perfumou a rosa, já deu ouro ao sol e prata ao luar. Pôs as estrelas no céu, fez um espaço sem fim. Foi Deus, que deu voz ao vento, luz ao firmamento e pôs o azul nas ondas do mar; fez poeta rouxinol, pôs no campo o alecrim, deu flores à primavera e deu-me esta voz a mim". Lindos versos cantados em Portugal e em terras do além mar, como o Brasil, e que podem inspirar nossas reflexões. Por exemplo, graças à uma sublime inspiração, os Companheiros do Rotary da Penha conceberam e mantém o Banco de Cadeiras de Rodas, que tem trazido alento a tantas e tantas pessoas ao longo de sua existência. O gesto altruísta de ceder uma cadeira de rodas a uma pessoa com deficiência de locomoção, vale muito mais do que apenas servir como um meio de transporte. Possibilita que o beneficiado resgate ou eleve sua auto-estima, fazendo-o sentir-se autônomo; concede a chance de levar dignidade a quem se sente diferente. É, pois, uma obra verdadeiramente divina, podemos assim dizer. .....”

 A obra continuou crescendo. Nestes 25 anos, outros líderes surgiram. Aluisio presidiu a instituição de 1983 a 1986 sendo sucedido por:  Duílio Ame; João Vieira Terra Loureiro; Délcio Peixoto Pires; Mário de Araújo Almeida Filho; Luiz Carlos de Alencar Azzi;  Hélio dos Santos Moreira; Manuel Valentim Inácio; Bernardo Luis Rodrigues Ferreira; Miguel de C. de Melo Miranda; Carlos Alberto Kyrillos; Sérgio Meireles Carneiro; José Albano Santos; Luiz Joaquim da Conceição e Joaquim Barros da Silva. Em 2000, foi a vez do companheiro Camilo da Costa Pinto que ao assumir a presidência começou a trabalhar a idéia da construção da sede própria e partiu de imediato para a compra de um terreno e, em quatro anos, transformou mais um sonho em realidade.

No dia 31 de julho, o RCRJ Penha, por ocasião da investidura de Jorge Luiz Braz, continuando como Presidente 2004-05, e o Distrito 4.570, tendo à frente o Governador Salvador da Costa Marques, puderam  visitar a magnífica construção da sede própria, em fase final de acabamento.

Na Rua Belisário Pena, 901 - Penha, esquina  com a Rua Panamá; um prédio de quatro andares, com cerca de  1.100 metros quadrados, constituído por lojas, salas para escritórios, salão de reuniões, depósito para cadeiras, salas oficinas, dependências de apoio, ampla cozinha e enorme terraço, com residência para zelador. Um verdadeiro edifício!

Mais uma obra a ser acrescentada ao patrimônio do Rotary Club, para dignificar ainda mais o Distrito 4.570 não só pelos milhares de atendimentos já patrocinados, mas pelos milhares de benefícios que virão a ser concedidos à comunidade carente do Rio de Janeiro e cidades adjacentes. Em futuro próximo, poderá se transformar no PALÁCIO DOS ROTARYs da região, onde o Penha, o Mercado São Sebastião, o Vila da Penha, o Brás de Pina, o Ramos, o Bonsucesso, etc. poderão se reunir e centralizar as atividades de Secretaria, alugando espaços que contribuirão para a manutenção do Banco, como instituição e para a folha de pagamentos por salários que certamente surgirão. Há projetos de criação de oficinas para a montagem e manutenção de cadeiras de rodas utilizando mão de obra dos cadeirantes habilitados previamente e outros equipamentos relacionados com clinicas de ortopedia.

A construção está sendo subvencionada por Rotarianos e empresas beneméritas sob a liderança do companheiro Camilo da Costa Pinto, Presidente reeleito para o 5º período de mandato e empossado no dia 31 de julho, em reunião de alto estilo um PALIO (automóvel) estará sendo sorteado durante o mês de dezembro próximo, pela venda de tômbolas entre os companheiros do Distrito e amigos da causa.

Aluizio Monttechiari, hoje engenheiro, é autor do projeto e presidirá o Conselho Fiscal.

Para informações sobre empréstimos, utilize o telefone 21-2260-4145.

Enviado por Luiz Carlos em Sáb, 15/07/2006 - 13:47